IGREJAS


Igreja Paroquial de São Pedro


Na origem desta Igreja Paroquial esteve a primitiva Capela de São Pedro, que recebeu, do Arcebispo de Lisboa, D. Pedro de Noronha (1423-1452), em 1446, a faculdade de ter pia baptismal, pois dependia até aí da Igreja de Santo André de Mafra. 

À época, a construção da Capela fora das muralhas da vila suporta a tese de que terá constituído uma ermida de peregrinação. 

Em 1 de Setembro de 1507, o inventário da Igreja era composto por: 

A referida capela, de dimensões reduzidas, terá sofrido obras de ampliação em data incerta, pois passou a Igreja Matriz, em 1530, por decisão do juiz eclesiástico encarregado de julgar a acção intentada pelos moradores da Ericeira que se queixavam de ter de percorrer uma légua de mau caminho para receberem os sacramentos. Perante este facto, os Beneficiados da Igreja de Santo André de Mafra viram-se forçados a colocar, na Capela de São Pedro, um capelão residente com carta de cura de almas. Esta decisão foi suportada pelo facto de nessa data residirem na Ericeira mais de 400 almas.  

Em 1578, foi-lhe outorgado o estatuto de Igreja Paroquial. As suas propriedades foram medidas e demarcadas em 1594. O retábulo da capela-mor terá sido executado entre 1561 e 1617.
Entre 1615 e 1617, o tecto foi coberto por um forro de madeira. O revestimento azulejar policromo terá sido iniciado em 1631, tendo continuado depois de 1666 (Visitação de 2 de Julho, do Dr. Domingos da Cunha Barreto). 

Através da visitação, de 5 de Julho de 1609 feita pelo Doutor António Moniz da Câmara e assinada pelo padre cura da Igreja de S. Pedro, Jerónimo Dias Teixeira, ficamos a saber que existiam as confrarias do Santíssimo Sacramento, do Espírito Santo, de Nossa Senhora do Rosário e de S. Pedro. Na visitação de 12 de Julho de 1616, feita pelo Dr. Tomás Gonçalves Ferreira, refere-se a existência da confraria de Nossa Senhora da Conceição.

Em 1631, encontra-se documentado a existência das seguintes irmandades: Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora do Rosário (com altar próprio), Nossa Senhora da Conceição (com altar próprio), Nome de Jesus, São Pedro e São Frei Pedro Gonçalves Telmo, padroeiro dos homens do mar.  

A partir de 1658, a igreja foi sucessivamente ampliada até atingir a actual dimensão. Em 1678 (de acordo com a Visitação de 21 de Outubro, do Arcebispo de Lisboa, Luís de Sousa), o chão de terra batida foi ladrilhado, tendo sido adquiridas várias alfaias litúrgicas (ambulas de prata, dois frontais, duas toalhas para o lavatório, etc.). 

Em 1683, prosseguiam as obras na igreja e na sacristia (Visitação de 11 de Julho, do prior Sebastião Dias Carmelo).

Em 21 de Outubro de 1745, foi contratado o mestre entalhador Matias José de Faria, morador em Lisboa, para executar todo o trabalho de talha do Altar-mor. Em Março de 1746, a obra estava concluída. 

Em 1758, o pároco Lucas Palhano Cordovil fornece-nos os seguintes dados sobre a Igreja Paroquial de S. Pedro, na Memória com que respondeu ao inquérito nacional lançado nesse ano: tem cinco altares, o Mor em que está o Santíssimo Sacramento e tem na boca da Tribuna as Imagens de S. Pedro e S. João Evangelista, fora do cruzeiro, a de S. Sebastião, N. Senhora da Conceição, do Rosário e de S. Miguel; e tem uma nave somente. Tem três Irmandades, a de S. Pedro, S. Sebastião e Almas. 

Entre 1785 e 1786, decorreram obras de conservação e restauro do telhado e a concepção do tecto em caixotões, tendo a sua pintura sido contratada a Joaquim José da Rocha. 

Em 10 de Março de 1808, por ordem do governo francês foi retirada (roubado) da Igreja a seguinte prata: 4 lâmpadas, 6 castiçais, 10 cruzes, 6 varas de palium, 1 turíbulo, 1 naveta e colher, 1 caldeirinha e aspersório, 2 lanternas e 1 concha de baptizar. Pesava tudo 131 marcos. Foram retirados igualmente alguns objectos de oiro. Foi tudo entregue a Manuel Franco Duarte, Depositário das Décimas do Concelho, para ser levado para a Casa da Moeda. O recibo foi lavrado pelo escrivão da Câmara, António Lopes da Costa Pacheco, tendo por testemunhas o Reitor da Igreja, Padre José Félix da Silva, e Justino José da Silva.

Em 1837, iniciou-se a construção do primeiro cemitério no terreno situado a nascente por ordem da Junta da Paróquia.

No século XIX, a nova campanha de ampliação, reformulou o coro alto, que desde então assumiu as excessivas proporções que ainda conserva, e prolongou a igreja em comprimento. O que ditou o desaparecimento dos painéis de azulejo da parede de topo, bem como a desornamentação da secção final do pano murário interior, ainda não existente aquando da integração do revestimento cerâmico setecentista. 

Ainda na primeira metade do século XX, os espaços anexos foram adaptados a escola, que aí funcionou durante seis anos. Mais tarde, passou a habitação do pároco. 

Entre 1995 e 1996 foram executadas obras de conservação e restauro na capela-mor, retábulos laterais da nave e telhado. Em 1998, a instalação eléctrica foi totalmente renovada. 

As edificações anexas são constituídas por casa mortuária e algumas construções de apoio. No alçado sul situa-se a sacristia setecentista.

No mesmo lado encontra-se a torre sineira de planta quadrada, totalmente desalinhada da fachada do templo. A cobertura exterior da torre está revestida com azulejos policromos do século XVII. 

A Igreja de São Pedro foi classificada como imóvel de interesse público através do Decreto nº 29, de 25 de Junho de 1984. 

Apresenta planta longitudinal composta por nave única, com cerca de 25m de comprimento por 9m de largura, com capela-mor mais alta e estreita, para além de vários anexos. 

A fachada principal, de meados do século XVIII, revela a influência das teorias de Vignola, apesar da existência de alguns pormenores característicos do barroco. O portal, de moldura em volta perfeita, é sobrepujado por um frontão semicircular, interrompido na base. O tímpano ostenta relevos da simbologia de São Pedro. A porta está guarnecida por um guarda-vento oitocentista. 

O portal sul apresenta uma imagem do mesmo santo, em pedra calcária, executada provavelmente no século XVI e com características que a aproximam da oficina do escultor João de Ruão, revelando fortes semelhanças com uma outra patente na Igreja de Anseria, em Oliveira do Hospital. 

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Na face interna do alçado principal situa-se o coro-alto, obra de grandes dimensões definida por uma balaustrada de planta ondulada com características joaninas. Aqui encontra-se o órgão de armário construído, pelo organeiro José Carlos de Sousa Machado, em 1822. 

No lado do Evangelho, situa-se a tribuna construída no século XIX e, um pouco mais adiante, o púlpito de caixa simples.

O retábulo-mor, cuja expressão se integra nitidamente nas características do barroco nacional, apresenta contudo uma policromia que denota um gosto mais avançado, consequência provável do longo tempo que levou a ser concluído.

Na capela-mor encontram-se quatro telas, de Manuel António de Góis, retratando a vida de São Pedro (‘Cristo caminha sobre as águas’ e ‘A Pesca Milagrosa’, do lado do Evangelho, e ‘Pedro lança-se ao mar ao encontro de Jesus’ e ‘Pedro lança-se ao mar de Tiberíades’, do lado da Epístola), o retábulo, o sacrário, em talha dourada, e duas imagens barrocas, estofadas e encarnadas, de São João Evangelista (1,25m) e de São Pedro (1,38m). 
A nave apresenta quatro retábulos laterais de talha dourada das seguintes invocações: Capela do Sagrado Coração de Jesus (lado do Evangelho) com as imagens do Sagrado Coração de Jesus, no nicho (século XIX), de Santa Inês, do lado esquerdo (século XIX), de Santa Luzia, do lado direito (século XIX) e de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (século XX), em plano inferior; Capela de Nossa Senhora do Rosário (lado do Evangelho, século XVIII). Em ciclos de 17 anos, a imagem de Nossa Senhora da Nazaré é recolhida no nicho desta capela, aquando da festa em sua honra, ficando a Imagem de Nossa Senhora do Rosário arrecada durante a sua presença (1 ano). As três peanhas situadas a nível inferior encontram-se vazias; Capela de Nossa Senhora da Conceição (lado do Epístola), com as imagens de Santo António, do lado esquerdo, e Santa Teresa de Lisieux, do lado direito (século XIX); e a Capela do Calvário (lado da Epístola, século XVIII) com a imagem de Cristo Crucificado, em tamanho natural, Nossa Senhora (1,23m) e São João Evangelista (1,00m) e a imagem de Jesus morto, em baixo (1,34m, século XVII). 

Encontram-se pendentes nas paredes da nave cinco telas (séculos XVII-XVIII) – representado, o ‘Ecce Homo’ (2,65m x 1,92m), o ‘Lava Pés de São Pedro’ (2,36m x 2,05m), do lado da Epístola, ‘Sagrada Família com Santa Isabel e São João Baptista’ (1,69m x 1,22m), ao fundo do lado da Epístola, ‘Nossa Senhora do Carmo entregando o escapulário a São João da Cruz’ (1,45m x 1,15m), ao fundo do lado do Evangelho, e ‘O Sacrifício de Isaac’ (1,58m x 1,04m), por cima do painel central de azulejos do lado do Evangelho. 
Sob o arco situado junto à entrada encontra-se, do lado da Epístola, a Capela do Senhor Jesus dos Passos com a Imagem de Nossa Senhora das Dores.
As paredes da nave estão revestidas por seis painéis de azulejos (século XVIII) representando cenas da vida de São Pedro, devidos ao artista Manuel João (‘São Pedro e os animais impuros’, ‘O baptismo do centurião Cornélio e da sua família e amigos mais próximos’, ‘A cura do paralítico’ (do lado do Evangelho), ‘São Pedro recebe as chaves’, ‘Encontro de São Pedro e São Paulo em Roma’ e ‘Queda de Simão Mago’ (do lado da Epístola). 
O tecto possui dezoito caixotões octogonais com telas representando diversos atributos do orago. No caixotão central está representado o ‘ O Arrependimento de São Pedro’. 

Na sacristia encontra-se, hoje, o Altar de Nossa Senhora do Carmo, que primitivamente se situava no alpendre da igreja, destruído para ampliação da mesma, e um grande arcaz barroco, datado de 1880. Em frente do alçado principal situa-se o cruzeiro de pedra erigido em 1782. 

No adro celebra-se anualmente (a 8 de Dezembro) a festa em honra de Nossa Senhora da Conceição e o arraial de São Pedro na noite de 28 para 29 de Junho. 





Capela de Santo António e de Nossa Senhora da Boa Viagem.


A capela, de proporções modestas com tecto abobadado, não se cingia apenas ao culto, pois servia igualmente de farol para assinalar a entrada do porto através do pequeno nicho situado na parede do lado poente, que albergava uma lanterna, e do próprio sino. Hoje, o nicho alberga uma imagem de Nossa Senhora da Boa viagem do barrista José Franco. Na mesma parede situa-se um cruzeiro rocócó, em azulejos policromos, datado de 1789. A ilustração da base inclui a Imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, ao centro, situando-se São João Evangelista, à direita e Santa Madalena, à esquerda. 

As duas almofadas superiores da porta principal ostentam a data de 1664, ano em que sofreu obras, pois o edifício actual é do século XVII. A capela foi submetida, novamente, a obras em 1844, nos primeiros anos do século XX e em 1993, quando foram restaurados a talha, a pintura e o douramento do retábulo.

A partir de 1609, esta capela foi sede da Corporação dos Homens do Mar. Em 1645, passou a Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem. Foi, igualmente, sede da confraria de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Em 1645, o seu interior, incluindo o tecto, foi totalmente forrado por azulejos policromos custeados através da oferta de um anel de grande valor pertencente a uma devota, como refere a visitação de 5 de Setembro de 1631 efectuada pelo Dr. António Carvalho Parada.

Por cima do arco triunfal situa-se um pequeno registo de Nossa Senhora da Boa Viagem, rodeada por seis cabeças aladas de anjos, com os monogramas de Cristo, Maria e José, datado de 1634. O recinto exterior foi pavimentado em 1863. 
A primitiva imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem – de maiores proporções, em madeira estofada e policromada, restaurada em 1761 –, e a imagem de Santo António foram vandalizadas e lançadas ao mar na noite de 22 para 23 de Janeiro de 1912, na sequência do assalto à capela ocorrido nessa noite. Da imagem da Senhora da Boa Viagem apenas restou a mão que deu à costa no dia seguinte e que se conserva, actualmente, no museu da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira. A ermida só foi reaberta ao culto em 13 de Junho de 1929.
A capela possui seis imagens. No retábulo situam-se as imagens de Nossa Senhora da Boa Viagem (século XVIII), ladeada pelas imagens de Santo António (século XVIII), do lado da Epístola, e de São Vicente (século XVIII), do lado do Evangelho, uma outra imagem de Santo António (século XX), de maiores proporções, e na nave as imagens de São Pedro (século XVIII), do lado do Evangelho, e de Santa Catarina de Alexandria (século XVIII), do lado da Epístola. A imagem de Santa Catarina encontra-se guardada, temporariamente, na sacristia (Agosto de 2008).
Actualmente, celebram-se, nesta capela, no terceiro fim-de-semana de Agosto, as festas em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem padroeira dos pescadores da Ericeira.





Capela ou Igreja de Santa Marta e de Nossa Senhora das Necessidades



IMG 2592-I. S. Marta

Esta capela começou a ser erigida, em 1760, no lugar da antiga ermida de Nossa Senhora da Saúde, demolida nesse ano (Visitação de 8 de Novembro, do Dr. Félix Dantas Barbosa). Juntamente com a Capela de Santo António possui um orago duplo.
Existe notícia de que a referida ermida, com orago dedicado a Santa Marta, estaria a ser construída em 1484. Situava-se mais a sul, perto do mar, no interior do perímetro do actual Parque de Santa Marta, próximo da nascente das águas minero-medicinais. 

Em 1575 encontra-se referida como Ermida de Santa Marta. Posteriormente, veio a designar-se Capela da Senhora das Necessidades. A ermida já era um local de devoção, ligada às curas milagrosas da peste.

Segundo a lenda difundida por Frei Agostinho de Santa Maria, no seu Santuário Mariano, em 1599, a Venerada imagem de Nossa Senhora das Necessidades foi levada por um casal de devotos tecelões para Lisboa, que vivia perto de Alcântara, tendo aí edificado uma capela para a imagem, que veio a dar nome ao bairro, e mais tarde ao palácio que ainda hoje conserva o nome homónimo.

A imagem original, de Nossa Senhora das Necessidades, terá sido levada para a Patriarcal, no reinado de D. João V, tendo desaparecido na sequência do incêndio deflagrado pelo terramoto de 1755.

Em 23 de Novembro de 1633, o visitador, Dr. António Carvalho Parada, proibiu ao ermitão de Santa Marta que se comesse e dormisse dentro da ermida. 

Em 1649, Silvestre Gonçalves e sua mulher, Maria de Mattos, eram ermitães de Santa Marta. Ao tempo, a ermida era administrada pela Câmara. Nessa época era Santuário dedicado a Nossa Senhora das Necessidades.

Em 1848 foi convertida em Hospital para albergar os doentes da epidemia de cólera morbus.
Nos finais do século XIX, início do século XX com a descoberta das propriedades curativas das águas vizinhas, associaram-se essas capacidades à imagem de Santa Marta, que já era venerada há muito na capela. A devoção a Santa Marta só aumentou após essa descoberta.  
As confrarias de Nossa Senhora das Necessidades e de Santa Marta tinham sede nesta ermida.
O retábulo em talha dourada policroma apresenta ao centro a imagem de Nossa Senhora das Necessidades (século XVIII), ladeada pela imagem de Santa Marta (século XVIII, lado do Evangelho) e pela imagem de Santa Luzia (século XIX, lado da Epístola). 

Na capela-mor salientamos os dois painéis de azulejos barrocos (século XVIII), representando a Anunciação do Anjo Gabriel (lado do Evangelho) e o Presépio ou Nascimento de Jesus (lado da Epístola).

Na nave encontram-se as imagens de Nossa Senhora de Fátima (século XX) e de S. José (século XXI), ambas de pequenas dimensões.
O largo da capela, único da vila com habitações em redor, remonta ao tempo do santuário mariano, em que as casas se destinavam aos peregrinos.


Capela de São Sebastião 

Esta ermida – construída provavelmente no século XV ou XVI, de planta hexagonal com cúpula terminada em gomos e exterior totalmente branco – fica situada no extremo norte da vila. 

No exterior da fachada existem dois bancos corridos. O interior está integralmente forrado com azulejos policromos (azul e amarelo) de tapete (século XVII) de grande efeito estético. O altar-mor é de mármore.

Em 1567, um grupo de moradores da vila da Ericeira pediu licença para levantar um altar na ermida de S. Sebastião.

Em 24 de Abril de 1678, as obras de reedificação da ermida foram autorizadas por D. Luís de Sousa, Arcebispo Metropolitano de Lisboa e Capelão Mor do Príncipe, tendo sido acrescentado um chão novo. A autorização para a execução das referidas obras fora solicitada pelo Juiz e Irmãos da Confraria de S. Sebastião.

No altar pode admirar-se o trabalho em pedra embutida policromada (branca, rosa e amarela oca), datado do mesmo ano. O retábulo contém quatro colunas simples de fuste cilindro-cónico. No interior do nicho encontra-se a imagem de S. Sebastião (século XVIII). O altar possui um pequeno Cristo Crucificado. 

No lado do Evangelho situa-se a peanha em mármore do antigo púlpito. O chão encontra-se coberto por ladrilhos cerâmicos.
A Confraria de S. Sebastião tinha nesta ermida a sua sede, sendo composta unicamente por rapazes solteiros. 

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Em 1702, a Visitação Eclesiástica proibiu a realização, dentro da ermida, de bailes, comezainas e bodegas.

As festas em honra do mártir S. Sebastião foram em tempos as maiores da vila e arredores, devido á sua imponência, eram realizadas na Igreja de S. Pedro, sendo a imagem do mártir reconduzida em procissão para a sua capela no dia de S. Vicente (22 de Janeiro) onde se festejavam os dois mártires.
S. Sebastião celebra-se no domingo mais próximo de 20 de Janeiro e S. Vicente, a 22 de Janeiro.

Actualmente, celebram-se os dois mártires na Capela de S. Sebastião. 


Igreja da Santa Casa da Misericórdia ou Igreja do Espírito Santo


A Misericórdia da Ericeira foi fundada por Francisco Lopes Franco, natural da vila, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, Procurador dos Condes da Ericeira, Arrematador do Imposto do Carvão, Armador de Navios e Tesoureiro Geral dos Depósitos de Lisboa, em 29 de Dezembro de 1678. 

Os estatutos da irmandade foram aprovados, apenas em 1697, dezasseis anos após a morte do fundador.

A Igreja foi construída, no local onde se situava a Ermida do Espírito Santo, de acordo com a escritura da fundação e do Compromisso concedido por Alvará Régio de 7 de Junho de 1697. 

A primeira Assembleia-geral ocorreu em 7 de Novembro de 1715. A Ermida do Espírito Santo situava-se exactamente no local onde se ergue a sacristia actual.

A fachada principal da igreja data do século XVII. O pórtico está ladeado por duas pilastras e encimado por duas largas arquitraves.

Por cima abre-se uma janela de arco rebaixado, em capialço, rematada por um frontão triangular. A torre sineira, construída na segunda metade do século XVIII, encontra-se alinhada com a fachada e situa-se do lado do Evangelho. O relógio apenas foi instalado no início do século XIX. 

Apresenta nave longitudinal única e coro-alto sustentado por quatro colunas jónicas.

A cripta foi construída por baixo do altar-mor. A ampla janela do alçado norte, em arco recto, ilumina o seu interior.

O altar, em talha dourada, encontra-se rematado por um frontão triangular de aletas. O púlpito poligonal, de mármore policromo, está decorado com talha dourada.

O acesso, às restantes dependências da Misericórdia, faz-se por uma porta da parede sul.

Na tribuna situa-se o impressionante cadeiral em madeira, do século XVIII. As paredes estão revestidas por azulejos azuis e brancos do século XIX.

No nicho do altar-mor encontra-se a imagem de Nossa Senhora do Rosário. De cada um dos lados abrem-se portas de acesso à sacristia, decoradas por um frontão triangular com aletas.

Por cima de cada uma das portas encontram-se telas representando ‘ A Visitação’ (lado da Epístola) e ‘Nossa Senhora da Misericórdia’ (lado do Evangelho) do pintor Manuel António de Góis.

O tecto está revestido por 21 caixotões com alusões às obras da Misericórdia. A cobertura do sub-coro é constituída por dois caixotões octogonais. 

Possui dois retábulos laterais em talha dourada. O retábulo, do lado do Evangelho, é dedicado a Cristo Atado à Coluna, o do lado da Epístola, a Santo António. A imagem de Cristo encontra-se ladeada por S. Brás (à esquerda) e de S. Martinho (à direita). Santo António está acompanhado pelas imagens de Santa Maria (à esquerda) e de São José (à direita). 

A meio da nave, no lado do Evangelho, situa-se a Capela do Senhor Jesus dos Passos. 

Em 1723, renovou-se a sacristia, que possui um imponente arcaz (século XVIII). 

Em 1755, Mestre José Oliveira, da Melroeira, Torres Vedras, foi contratado para entalhar o altar-mor. Em 1765 foram contratados os pintores Manuel António de Góis (1735-1789), de Cascais, e Sebastião de Carvalho, de Barcelos, para dourarem e pintarem o retábulo, os altares, o púlpito e o tecto de caixotões. 

A pintura do tecto, a óleo sobre madeira, está ordenada em três fiadas: a primeira, do lado da Epístola, ilustra as sete Obras Corporais (‘Dar de comer a quem tem fome’, ‘Dar de beber a quem tem sede’, ‘Vestir os nus’, ‘Visitar os enfermos’, ‘Dar pousada aos peregrinos’, ‘Remir os cativos’ e ‘Enterrar os mortos’), a segunda (central), os sete Sacramentos (‘Baptismo’, ‘Confirmação’, ‘Comunhão’, ‘Confissão’, ‘Extrema-Unção’, ‘Ordenação’ e ‘Matrimónio’) e a terceira as sete Obras Espirituais (‘Rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos’, ‘Sofrer com paciência as fraquezas dos nossos próximos’, ‘Perdoar a quem errou’, ‘Castigar com caridade aqueles que erram’, ‘Consolar os tristes’, ‘Ensinar os ignorantes’ e ‘Dar bom conselho a quem pede’.

As pinturas dos dois caixotões octogonais, sob o coro, ilustram – o Imaculado Coração de Jesus, com três cravos envolvidos por uma coroa de espinhos e o Monograma de Maria, coroado e rodeado por um rosário com as armas reais. 

A representação iconográfica, atrás descrita, da pintura dos caixotões, deve-se à intervenção (repinte) do pintor José Joaquim da Costa Brito Durão Padilha, entre 1850 e 1858, pois a encomenda original pretendia ver ilustrada na referida pintura as representações do Espírito Santo (orago) e dos atributos da Misericórdia. Os frescos, da escada de acesso e das paredes da igreja e da sacristia, são de José Padilha.

Por Breve, datado de 6 de Junho de 1783, o Papa Pio VI concedeu à Santa Casa da Misericórdia da Ericeira a faculdade de albergar na sua igreja o Santíssimo Sacramento.



Igreja de Santo André – Mafra

A Igreja de Santo André situa-se na Rua Pedro Julião, na Vila Velha, em Mafra. Apresenta traça tardo-românica ou pré-gótica. Possui planta longitudinal com três naves e uma cabeceira de planta poligonal. A cobertura, assente sobre uma estrutura de madeira, é de duas águas. A fachada principal possui um pórtico, com arcos quebrados sobre colunas, e uma rosácea. A parede, exposta a sul, apresenta um pórtico idêntico ao da fachada. 

No interior encontramos quatro tramos de arcos quebrados assentes sobre colunas monolíticas. A iluminação faz-se através de seis frestas existentes nas naves colaterais (três de cada lado) e das duas rosáceas. Possui um arco triunfal quebrado. Por cima situa-se a segunda rosácea deste templo. O pavimento encontra-se ladrilhado.  

A capela-mor apresenta dois tramos e abóboda de arestas sobre mísulas decoradas. A luz natural penetra através de três frestas – duas de dois lumes, situadas nos alçados laterais, e uma de três lumes, localizada na cabeceira. 

Na entrada da nave encontram-se dois sarcófagos (um de cada lado), em pedra branca de lioz, que primitivamente estiveram localizados na capela-mor e albergaram os corpos de D. Diogo de Sousa e de sua mulher, D. Violante Lopes Pacheco, antigos donatários da vila de Mafra. 

A origem da antiga Matriz de Mafra tem sido objecto de muitas especulações. Vários autores têm adiantado como data da fundação, o período anterior ou coevo ao domínio islâmico na Península, após a reconquista ou no século XIV. 

Em 1189, aquando da concessão do foral pelo Bispo de Silves e Donatário de Mafra, D. Nicolau, existe notícia sobre a existência de uma igreja em Mafra. Na inquirição, ocorrida no segundo quartel do século XIII, não se faz nenhuma alusão à existência de qualquer igreja. 

Em 3 de Abril de 1283 surge nova referência à existência de uma igreja em Mafra. O seu orago, Santo André, é referido, pela primeira vez, em 30 de Julho de 1337. 

Em 23 de Setembro de 1524, o visitador Pero de S. Jorge afirmava que chovia na igreja e apodrecia o tecto. Em 7 de Junho de 1835, aquando da transferência da paróquia para a Basílica do Convento de Mafra, afirma-se que o antigo templo de Santo André se encontrava em decadência.

Em 1874, o arqueólogo J. Conceição Gomes classificou o seu estado de conservação miserável. Este investigador refere que encontrou na capela-mor ‘superabundante obra de talha dourada, de muito gôsto’ e outras preciosidades de adorno; dois altares, no cruzeiro, também com ‘excelente obra de talha, tôda dourada, cariátides de bom trabalho, muitas cabeças de anjos e folhagens igualmente bem trabalhadas’; e regista o agradável efeito destes mesmos altares revestidos de azulejos de superfície relevada, com florões de cores. Anotou ainda a existência de um largo revestimento de azulejos de superfície lisa nas paredes laterais da capela-mor. Cerca de quatro anos depois, Estácio da Veiga, na obra ‘Antiguidades de Mafra’, refere que quase todos estes vestígios haviam desaparecido! 

Em 1903, a Junta da Paróquia solicitou ao Governo um subsídio, pois a igreja ameaçava entrar num estado de colapso e ruína irreversível. Os trabalhos de restauro iniciaram-se com o desmantelamento da igreja e desmonte da talha dourada, azulejos, epigrafia, sarcófagos, etc. 

A torre sineira foi demolida em 1907. As obras foram suspensas em 1910. Entre 1914 e 1925 foram levadas a cabo novas tentativas de restauro do templo.

Em 1936, apenas se mantinham de pé a capela-mor, as paredes-mestras do mesmo. Em 15 Junho de 1935 (Decreto nº 25.614) foi classificado como monumento nacional. A Zona Especial de Protecção foi definida em 27 de Julho de 1948. 

Em 1944, segundo o Boletim n.º 36 da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, a antiga igreja Matriz de Mafra encontrava-se abandonada e em ruínas, existindo apenas ‘Algumas paredes negras, sem cobertura nem remate bem definido, que um denso e alto silveiral ia devorando pouco a pouco...’.

As obras de recuperação foram feitas sob a orientação do Eng. Henrique Gomes da Silva (Director-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais entre 1929 e 1960) e do Arq. Baltazar de Castro (responsável técnico) que acompanhou a obra no local. 

Incluímos aqui a Igreja de Santo André de Mafra porque, até 1446, os ericeirenses eram aqui baptizados. 




Por FE, 2012-09-04, Revisão 3

Referências:

Batoréo, M. Coord., (1998), A pintura e os Pintores da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira, Mar de Letras Editora, Ericeira.

Corredoura, L., (2005), A intervenção da D.G.E.M.N. na Igreja de Santo André de Mafra: Um paradigma da política de intervenção em monumentos históricos do Estado português durante as décadas da D.G.E.M.N. (1930-1940), Boletim Cultural da Câmara de Mafra. 

Diccionário Geographico, Vol. 13, nº 28.

Franco, A. B., (1954), A Ermida de S. Sebastião na Ericeira.

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Gorjão, S., (1994), Arte Sacra – Museu da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira, 

Gorjão, S., (1993), Ermida de S. Sebastião da Ericeira, Boletim Cultural da Câmara de Mafra.

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