O CAFE ARCADA


O edifício que albergou o antigo Café Bijou-Arcada, de construção oitocentista, situa-se na confluência da Praça da República (Jogo da Bola) com a Rua Dr. Eduardo Burnay e define um dos extremos da referida praça, destacando-se da sua envolvente.

No início da década de 1920, Manuel Lopes Matias, ex-seminarista, empresário e agricultor local, abriu neste edifício a ‘Cervejaria Lopes’, a primeira cervejaria existente no Jogo da Bola. Nessa época, o edifício foi submetido a avultadas obras.

Manuel Lopes Matias foi pioneiro do desenvolvimento da Foz do Lizandro e grande entusiasta da criação do caminho-de-ferro para a Ericeira e do porto de embarque da Foz do Lizandro. A ‘Adega da Foz’ também conhecida por ‘Adega do Alemão’, e respectiva casa de habitação foram mandadas construir por si. Nesta adega operou a ‘Sociedade Vinícola da Carvoeira’.

Na década de 1940, a adega esteve alugada a Artur Dominguez Alvarez, cidadão galego, que foi proprietário e gerente da empresa ‘Vinhos Autênticos de Portugal, Lda.’

Na década de 1960, foi restaurante e casa de fados por conta de Francisco Carreira, empresário de restauração do Parque Mayer de Lisboa.

Mais tarde, o estabelecimento, que albergava a Cervejaria Lopes, foi alugado a António Cardoso, professor de instrução primária, que após algumas obras a converteu no Café Bijou-Arcada.

Entre a segunda metade da década de 1930 e 1942, o café esteve alugado a Guilherme Miranda, ex- emigrante no Brasil. O serviço de mesa estava a cargo do Sr. Claudino, empregado de mesa profissional, natural da Galiza. O Sr. Claudino atendia os clientes trajando a rigor – casaco preto, com bandas de cetim da mesma cor, laço preto e peitilho branco. A tertúlia local da oposição republicana tinha aqui o seu ponto de encontro.

Em 1942, a exploração do café passou para a posse dos empresários ericeirenses Alberto Galrão e Augusto da Silva Morais. Durante a guerra eram organizados regularmente espectáculos de café- concerto com baile animados pelo Sr. Bagulho, professor da escola primária e pianista, que acompanhava os cantores amadores e profissionais.

Nas décadas de 1970 e de 1980, no piso superior funcionou um salão de jogos. Na década de 1980, o piso térreo foi posto de venda da UCAL, Cooperativa Abastecedora de Leite. O Posto de Turismo, da Junta de Turismo, entre o final da década de 1980 e 2001, funcionou durante alguns anos, no anexo sul.

O edifício desenvolve-se em três pisos, sendo a fachada aberta para a Rua Dr. Eduardo Burnay marcada pela definição de cinco portas de verga recta no piso térreo, coincidentes com as do andar superior, cujo alçado é recuado de forma a permitir a abertura de um alpendre, sustentado por colunelos dóricos.

Na fachada virada para a praça observa-se uma composição escalonada, com o piso térreo aberto, alternadamente, por portas e montras. No andar intermédio, existem três janelas de guilhotina e o alpendre e, no último piso, ao nível do telhado, uma mansarda.

O interior dos primeiros pisos define um espaço amplo e unificado, suportado por colunas dóricas, sendo o superior de menores dimensões.

O edifício foi classificado Imóvel de Interesse Municipal pelo Decreto 2/96, de 6 de Março de 1996, e pela Declaração de Rectificação no 10-E/96, de 31 de Maio do mesmo ano.

Entre 2001 e 31 de Maio de 2009, o piso térreo albergou o Posto de Turismo e a sede da Junta de Turismo da Ericeira, que terminou nessa data. Actualmente, o piso superior está transformado em galeria de exposições (Galeria Orlando Morais).


FE 2010-06

Referências:
[1] Júnior, J. C., (1998), Carta do Património do Concelho de Mafra, Breve historial do antigo Café Bijou-Arcada (Ericeira) e Adega da Foz do Lizandro, Boletim da Câmara Municipal de Mafra.
[2] www.ippar.pt


© ONE, SGPS, 2012